Pinto Martins: um voo na memória e na história do aviador camocinense

Autores:
SANTOS, Carlos Augusto Pereira dos
SANTOS, Paulo José Silva dos

ISBN: 978-85-67960-33-3 (impresso)
Ano de publicação: 2019
98 páginas

Como citar:
ABNT: SANTOS, Carlos Augusto Pereira dos; SANTOS, Paulo José Silva dos. Pinto Martins: um voo na memória e na história do aviador camocinense. Sobral: SertãoCult, 2019.

APA:  Santos, C. A. P. dos; SANTOS, P. J. S. dos. Pinto Martins: um voo na memória e na história do aviador camocinense. Sobral: SertãoCult, 2019.

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APRESENTAÇÃO

Nos anos 1920 os aviadores eram, como podemos chamar hoje, as “celebridades” no cenário da modernidade de então. Os raids aéreos e os aviadores eram as atrações especiais de um grande espetáculo. No dizer do historiador pernambucano Antonio Paulo Rezende:

Um espetáculo que causava impacto e ocupava o noticiário da imprensa foram as demonstrações dos aviadores da época e suas máquinas maravilhosas. Foram recebidos, na cidade, com honras de heróis, festas e discursos. Suas exibições provocavam a perplexidade de multidões e os elogios dos poetas (“Antes esses heróis dos ares,/sulcando os etéreos mares? Onde é vaga o vendaval,/ pra louvar os vencedores/ o povo cobre de flores/ a carreta triunfal”)[1]. Sacadura Cabral e Gago Coutinho foram os pioneiros, em 1922, depois de haver realizado a travessia do Atlântico, e para eles se rezou até missa campal. Vieram outros, como Euclides Pinto, Ramon Franco e Manuel Gonçalves. O anúncio da provável chegada de um avião motivou expectativas e emoções[2].

Ao longo do tempo, a história e a memória do feito aéreo e do aviador Pinto Martins ganham em lembranças e esquecimentos, talvez mais estes do que aqueles. No próprio município este embate de quando em vez se apresenta, como por exemplo, quando se quis associar a memória do aviador com a comemoração do centenário de Santos Dumont, colocando-se na Praça Pinto Martins um avião caça da Força Aérea Brasileira, no mesmo espaço onde está erguida uma estátua (que outrora fora busto, colocado na mesma praça por ocasião do I Centenário de Camocim)[3], passa para a grande maioria das pessoas uma “informação” de que aquele seria a réplica do Sampaio Correia[4] ou algo semelhante ao avião de 1922-23 que fez a travessia Nova Iorque – Rio de Janeiro.

Por outro lado, aos poucos o legado do evento protagonizado por Pinto Martins, do ponto de vista nomenclatural, vem sofrendo desgaste no maior ícone em homenagem ao seu nome – o aeroporto internacional de Fortaleza, batizado oficialmente em 13 de maio de 1952, através de lei assinada pelo Presidente Café Filho,  que atendeu às aspirações dos cearenses, dentre eles o Sr. Francisco Firmino de Araújo, que fez gestões junto à Prefeitura de Fortaleza “para que desse o nome de Pinto Martins ao aeroporto da cidade”, além de obter dos “Correios e Telégrafos a edição de um selo postal comemorativo do vôo”[5]. Agora, na era das PPP’s (Parcerias Público-Privadas), a empresa alemã Fraport Brasil, gestora do aeroporto, retirou da fachada o nome “Pinto Martins” e substituiu por Fortaleza Airport, gerando reações contrárias de autoridades políticas, pessoas ligadas à aviação, dentre outros comentários na imprensa cearense.

Em Camocim, desde 2008 foi criado o “Dia de Pinto Martins”, comemorado notadamente no âmbito escolar, cujas atividades remetem ao feito do conterrâneo ilustre. Naquele ano também foi criada a “Comenda Pinto Martins”,  cuja última edição se realizou em 2011.

O trabalho que ora vem a lume pretende ser uma obra paradidática em auxílio aos professores e alunos que tão bem desenvolvem as atividades durante o mês de abril de cada ano nas escolas do município e que não deixam morrer a história e a memória de Pinto Martins. Dentre várias informações compiladas de autores que escreveram sobre o aviador camocinense, destacam-se as pesquisas dos historiadores locais Carlos Augusto Pereira dos Santos e Paulo José da Silva Santos sobre a vida e saga do voo de Euclydes Pinto Martins . O primeiro trata de uma seleção de matérias escritas em seu blog, Camocim Pote de Histórias, e o segundo traz em forma de artigo seu trabalho de conclusão do Curso de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.

Deste modo, agradecemos a oportuna iniciativa da Prefeitura Municipal de Camocim, através da Secretaria Municipal da Educação, de possibilitar que essa publicação possa ser trabalhada entre professores e alunos do Ensino Fundamental para o aprimoramento da aprendizagem e conhecimento de nossa história.

Apertem os cintos e boa viagem… e boa leitura.

Camocim, setembro de 2019.

140 anos de emancipação política.
Os autores.


[1] FILHO, Lemos. Clã do açúcar. Recife. 1911-1914. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1960. p.262. In: REZENDE, Antonio Paulo. (DES) encantos modernos. Histórias da cidade do Recife na década de vinte. 2ª ed. Recife: Ed. UFPE, 2016, p.99.

[2] Grifo do autor. Apesar do historiador Antonio Paulo Rezende não grafar o nome completo de Pinto Martins (Euclydes Pinto Martins), trata-se do nosso aviador, que causou muito reboliço em Recife, onde sua família morava à época do voo pioneiro.

[3] Hoje, o referido busto está no museu da Academia Camocinense de Ciências Arte e Letras – ACCAL e uma réplica dele no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza-CE.

[4] A grafia do nome é registrada como Correia ou Corrêa, dependendo do documento.

[5] MONTEIRO, Tobias de Melo. Camocim Centenário. 1879-1979. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará, 1984.