Escritos sobre a estação Ipueiras

Organizadores:

SOUSA, Ana Paula Gaspar de
SANTOS, Carlos Augusto Pereira dos
SENA, Patrícia de Fátima Melo Rodrigues
ANDRADE, Ronaldo Moreira

ISBN: 978-65-87429-28-1 (impresso)
ISBN: 978-65-87429-29-8 (e-book/pdf)
DOI: 10.35260/87429298-2020
Ano de publicação: 2020
142 páginas

Como citar:
ABNT: SOUSA, Ana Paula Gaspar de; SANTOS, Carlos Augusto Pereira dos; SENA, Patrícia de Fátima Melo Rodrigues; ANDRADE, Ronaldo Moreira (Orgs.). Escritos sobre a estação Ipueiras. Sobral-CE: Editora SertãoCult, 2020.

APA: Sousa, A. P. G.; Santos, C. A. P.; Sena, P. F. M. R.; Andrade, R. M. (Org.). Escritos sobre a estação Ipueiras. Sobral-CE: Editora SertãoCult, 2020.

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PREFÁCIO

Esta obra é composta de textos, crônicas, versos e poesias de autores regionais que tiveram suas vidas marcadas e transformadas a partir do ano de 1910, com a chegada da ferrovia, evento que mudou não só a face da cidade de Ipueiras, no interior cearense, mas também seus hábitos, costumes e modo de vida.

As cidades e vilas por onde a ferrovia passou convidam a viajar pelas páginas do tempo, seguindo os trilhos da antiga estrada de ferro, mais conhecida como Linha Norte. Ligando a cidade de Camocim aos Sertões dos Inhamuns, cortando milhas e milhas de sertões bravios com suas imponentes locomotivas, chamadas carinhosamente de “Maria Fumaça”, semelhantes a verdadeiros “Dragões de Ferro”, cuspindo fogo e sibilando, anunciando que o progresso finalmente havia chegado ao Sertão.

É um trabalho, encabeçado pela Secretaria de Educação de Ipueiras, que buscou parceria de autores ipueirenses já consagrados, como o jornalista Frota Neto, a cordelista Dalinha Catunda, como também de pessoas que se interessam por nossa história, como a Mestra em Geografia Luciana Andrade Catunda, o historiador Antônio Genilson Vieira de Paiva, o professor Francisco de Assis Lima (Fury), o ipueirense Tadeu Fontenele e, ainda, um belíssimo texto do saudoso cronista ipueirense Bérgson Frota (in memoriam), já publicado anteriormente no jornal O Povo. Este livro traz também, em comemoração ao centenário ocorrido em 2017, do ilustre ipueirense Gerardo Mourão, um belíssimo texto intitulado “Gerardo Mello Mourão e o Trem”, de autoria do seu biógrafo, o reconhecido escritor cearense José Luís Lira.

Se pudéssemos comparar esta jornada literária a uma locomotiva, poderíamos dizer que o combustível seria a saudade e o maquinista seria uma mistura nostálgica das figuras daqueles tempos. No primeiro vagão, viria uma imensa carga de informações sobre a história do surgimento da Linha Norte, com o impacto da sua chegada em nossa localidade, segundo o olhar do Professor Genilson Paiva.

O segundo vagão traria um relato da Mestra em Geografia Luciana Catunda sobre “O algodão e a ferrovia na mobilidade do território cearense”, um destaque para o escoamento da produção algodoeira, o chamado “ouro branco”.

No terceiro vagão, viriam as valiosas crônicas do professor Fury, que nos transportam até a antiga estação ferroviária, com o seu vai e vem de viajantes: aventureiros, comerciantes, migrantes em busca de melhores oportunidades ou, simplesmente, passageiros que faziam de cada chegada e partida do trem sempre um grande acontecimento, que atraía olhares curiosos, vendedores ambulantes e até mesmo as moças da cidade, que, como nos romances de Leon Tolstói, sonhavam em encontrar ali um grande amor.

No quarto vagão viria o encanto e a beleza do trabalho de Dalinha Catunda, neta do “chefe da estação”, seu Gonçalo Ximenes Aragão, que nos embala em seus versos e poesias, onde a alegria da chegada dava lugar à tristeza da partida, até a chegada do próximo trem na estação. Dalinha nos conta a história da passagem de um rei por Ipueiras – não um rei qualquer, mas um rei nordestino – o Rei do Baião. No ano de 1966, no prédio da estação, cantou para aquela gente que delirava com os acordes da sanfona do “Velho Lua”.

O quinto vagão vem carregado de nostalgia e de personagens da infância e juventude do jornalista Frota Neto, que se perpetuaram na história do trem e nos fazem sentir como se lá também estivéssemos vivenciando aquele cotidiano que ainda hoje se faz presente pelas estórias e anedotas de figuras como a Dona Maria Capoeira – cafezeira e quituteira da estação ferroviária, testemunha de grandes momentos desta história, agora existente somente na memória dos antigos e pela presença dos velhos trilhos e estações ferroviárias que insistem em resistir à força do tempo e do descaso das políticas governamentais e de preservação patrimonial.

No sexto vagão, Tadeu Fontenele nos fala sobre o “Show do Luiz Gonzaga em Ipueiras” e faz uma narrativa linda da sua aventura com sua mãe, Dona Ineizita, na garupa da sua bicicleta, do Centro da cidade até o Bairro da Estação, para não perder a apresentação do ídolo.

O sétimo vagão traz uma crônica do jovem escritor ipueirense Bérgson Frota, cujo título, “O Tempo do Trem em Ipueiras”, bem poderia dar nome a este pequeno livro, de tanto que se identifica com o sentimento comum aos demais autores.

O oitavo vagão viria trazendo o orgulho de nossa Ipueiras ter como filho o ilustre poeta Gerardo Mourão, cujo centenário de nascimento ocorreu em 2017, comparado a Dante Alighieri, eleito pela Guilda Órfica, secular irmandade internacional de poetas, o maior poeta do século XX, conforme trajetória sintetiza tão bem o Professor Zé Luís Lira.

Finalmente, no último vagão, os professores Ronaldo Moreira e Paula Gaspar nos presenteiam com recortes da história da Escola Juarez Catunda, localizada no Bairro da Estação, equipamento que viabilizou a realização deste projeto, através do Programa Mais Cultura nas Escolas, onde os idealizadores optaram, dentre tantas alternativas, por nos trazer estes Escritos Sobre a Estação Ipueiras.

Então, corroborando com o professor Carlos Augusto Pereira dos Santos:

Se a história pudesse ser comparada a um comboio ferroviário, diríamos que cada uma das estações por onde o trem passou seria uma parada para abastecimento e reflexão de combustível e de cotidiano. Hoje, a maioria dessas estações necessita de restauração e revitalização e mesmo de novos usos e sentidos. Se antes se alertava para não perdermos o trem da história, que não se perca a história dos nossos trens”

SANTOS, C. A. P. Posfácio. “As estações da história”. In: FARIAS FILHO, A. V.; ARAÚJO, R.
A. A. (Org.). Nas trilhas do sertão: escritos de cultura e política nos interiores do Ceará (1850-
1930). 1ª ed. Sobral: Sertão Cult, 2014, v. 01, p. 159.

A estação ferroviária da cidade de Ipueiras tem mais a nos dizer do que seus simples tijolos e telhas, pois foi nela que muitos namoros começaram, famílias foram constituídas, comércios alavancados, conceitos construídos, mas, principalmente, se não foi dela que a cidade começou, foi a partir dela que a cidade se desenvolveu.

Esta obra é, sem dúvida, de suma importância para a nossa cidade e vizinhanças, pois para quem viveu e conheceu os tempos áureos da Estação Ferroviária de Ipueiras, esta obra oferece a possibilidade de rememorar de maneira saudosa “os tempos que não voltam mais”. Para aqueles que infelizmente não tiveram essa oportunidade, é a chance de conhecer nossa história, tão intimamente ligada à história dos trens.

Parabéns aos autores e aos idealizadores da obra, pois deram grande contribuição à historiografia ipueirense, bem como gravaram de maneira efetiva e primorosa seus nomes no seleto livro dos amantes da terra e que verdadeiramente se orgulham da terra que os acolheu e fez crescer.

Adalgisa Mariano Melo Belém
Professora Especialista em História do Brasil


SUMÁRIO

Prefácio / 7
(Adalgisa Mariano Melo Belém)

Capítulo I / 13
As contribuições históricas, culturais e econômicas da estrada de Ferro para o município de Ipueiras nos anos de 1910 a 1960.
(Antônio Genilson Vieira de Paiva)

Capítulo II / 55
O Algodão e a Ferrovia na Mobilidade do Território Cearense.
(Luciana de Andrade Catunda)

Capítulo III / 63
As Histórias da Estação Ipueiras.
(Francisco de Assis Lima. Fury)

Capítulo IV / 71
A Estação em Versos.
(Dalinha Catunda)

Capítulo V / 81
Da Estação e do Trem.
(Antônio Frota Neto)

Capítulo VI / 93
Show do Luiz Gonzaga em Ipueiras
(Francisco Tadeu Fontenele)

Capítulo VII / 97
O tempo do Trem em Ipueiras.
(Bérgson Frota Catunda)

Capítulo VIII / 101
Gerardo Mello Mourão e o Trem.
(José Luís Lira)

Capítulo IX / 107
A Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Juarez Catunda
(Ana Paula Gaspar de Sousa e Ronaldo Moreira Andrade)

Capítulo X / 119
Galeria de Fotos das estações de Ipueiras e Engenheiro João Tomé

Referências / 133

Sobre os autores / 137