Ensino de Geografia e Avaliação

Organizadores:
ARAÚJO, Raimundo Lenilde de
SILVA, Lineu Aparecido Paz e

ISBN: 978-65-87429-16-8 (impresso)
ISBN: 978-65-87429-17-5 (e-book/pdf)
DOI: 10.35260/87429175-2020
Ano de publicação: 2020
152 páginas

Como citar:
ABNT: ARAÚJO, Raimundo Lenilde de; SILVA, Lineu Aparecido Paz e (Orgs.). Ensino de geografia e avaliação. Sobral-CE: Editora SertãoCult, 2020.

APA: Araújo, R. L.; Silva, L. A. P. (Org.). Ensino de geografia e avaliação. Sobral-CE: Editora SertãoCult, 2020.

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PREFÁCIO

É sempre motivo de contentamento e gratidão um convite para apresentar um trabalho de colegas que levam a sério a Pesquisa no Ensino. Mas é também motivo de receio pela consideração que o convite representa, pois sabemos de nossa responsabilidade quando nos dão esta tarefa. Neste caso, quero ressaltar a satisfação pela possibilidade de conhecer e apresentar um trabalho com essa temática particular, e a apreensão por saber do desafio que é conseguir expressar corretamente, nestas poucas palavras, o significado de práticas avaliativas no processo de Ensino ressaltando a Geografia.

Tenho convicção de que avaliar é uma das mais espinhosas tarefas docentes. E por que digo isso? Avaliar, como subsídio na tomada de decisões, é sempre julgar com base em um diagnóstico. Ainda que “rodeado” de critérios conscientemente definidos e selecionados, avaliar é um ato de julgamento, e é subjetivo. Portanto, quem julga realiza esse ato buscando minimizar as influências dessa subjetividade.

Contudo, é importante que se tenha consciência de que é muito difícil ser plenamente objetivo nesse caso, e mais ainda ser justo, pois sempre há a possibilidade de que injustiças sejam cometidas. Esses aspectos inerentes à
avaliação, em qualquer prática do nosso cotidiano, como julgamento, definição de critérios, busca de objetividade e justiça, entre outros, expressam sua complexidade. E isso se agrava quando se acrescenta a possibilidade
frequente de que essa prática implique em desdobramentos, em tomada de decisão, em consequências para o que ou quem é avaliado.

Esses elementos já anunciam a relevância de se refletir sobre o ato de avaliar, mesmo em ações cotidianas simples, quando, por exemplo, julgamos uma pessoa por sua aparência imediata e já tomamos decisões sobre uma demanda qualquer que essa pessoa seja portadora. A relevância é maior ainda quando se está referindo à avaliação na escola, onde práticas tradicionais são consolidadas e naturalizadas, o que dificulta fazer reflexões críticas e realizar experiências alternativas.

Essas práticas avaliativas tradicionais são tão arraigadas socialmente que mesmo crianças de quatro e cinco anos já repetem, em suas brincadeiras infantis de escola, máximas apregoadas no cotidiano escolar, do tipo: “prestem atenção! Porque vai cair na prova!”; “você se comportou mal, então sua nota é Zero”; “você deve fazer tudo do jeito que eu ensinei, se não sua nota será baixa”.

Mudar essas práticas é um desafio! As investigações, as produções teóricas, as propostas dão conta de uma compreensão ampla dessa prática escolar, definem com clareza critérios mais adequados para sua realização,
indicam preocupações a serem consideradas nas tomadas de decisões após se avaliar, mas permanece o desafio de colocar em prática essas propostas e indicações.

No cotidiano escolar, os professores acham positivo avaliar, atribuindo sua importância à necessidade de acompanhar e controlar os resultados de aprendizagem dos alunos, ajudando-os com isso a se desenvolverem.
Entretanto, muitos apontam que a instituição limita suas possibilidades, destacando entre essas limitações as avaliações externas que periodicamente são aplicadas nas escolas.

Essas avaliações fazem parte da política educacional e são realizadas por órgãos nacionais e internacionais, que buscam, com sua aplicação, apreender resultados de aprendizagem com base em testes padronizados e de larga
escala para tomar medidas amplas alicerçadas nesses resultados.

Não se pode deixar de ressaltar o sentido da avaliação escolar que predomina entre os alunos. Os rituais da rotina na escola consolidam e reforçam uma experiência estudantil com avaliação que está ligada a traumas, a estresse, a cobrança e punição. Essa experiência compromete os resultados do processo, prejudicam em muitos casos a real apreensão da aprendizagem dos alunos, pois estes nem sempre conseguem expressar, em situações tensas de provas, por exemplo, o que aprenderam em sua plenitude.

De todo modo, é necessário enfatizar que a avaliação escolar é um dos fatores que contribuem para uma escola de boa qualidade. No entanto, para que seja uma atividade potencializadora dessa qualidade, é importante que suas propostas sejam fundamentadas em concepções sobre a escola, o ensino de conteúdos e suas finalidades, e que sua prática seja criteriosa, mas ao mesmo tempo generosa e mais compreensiva com os erros dos alunos, enxergando neles indicativos de suas aprendizagens e dificuldades.

Algumas questões a respeito do papel da escola em uma proposta de educação escolar são basilares: – O que é uma escola de boa qualidade? Como pensar nessa escola sob o ponto de vista dos alunos? Sem dúvida, é uma escola que, sem distinguir classe, gênero, raça, sexo, religião, assegura a todos o acesso ao conhecimento sistematizado e ao desenvolvimento da capacidade de pensar e refletir dos alunos. Mas é, ao mesmo tempo, uma escola que leva em conta a diversidade social e cultural dos alunos, suas diferenças, sua subjetividade.

E a avaliação, como componente do processo de ensino e aprendizagem, não pode ser praticada de modo separado, isolado de todo esse propósito pedagógico, ao contrário, ela é parte integrante e deve ser uma ação coerente com ele.

Por tudo isso, considero muito adequado e oportuno trazer a público um livro como esse, em que se discute o ensino de uma disciplina específica, a Geografia Escolar, articulado com a prática de avaliação. Em seus textos são abordados temas muito relevantes, quando se trata de compreender a avaliação como momento do processo de Ensino, articulado aos outros momentos, como o planejamento e a realização do processo propriamente dito.

Entre esses temas, destaco os instrumentos avaliativos, apontando o peso significativo da prova na tradução das rotinas avaliativas; a avaliação na formação inicial do professor; os fundamentos de uma avaliação formativa e diagnóstica; práticas de professores com a avaliação na escola; instalações geográficas como atos avaliativos ligados a uma avaliação construtiva.

São textos que partem de questionamentos interessantes, apresentam fundamentos teóricos e referências de autores que contribuem com o tema, e trazem resultados de investigações decorrentes. Entre os questionamentos norteadores, podem ser destacados: – Como em contextos específicos os professores desenvolvem suas práticas avaliativas? Como avaliar na prática escolar? Por que é necessário avaliar? Por que é necessário avaliar em Geografia? Como levar em conta a diversidade dos alunos e ao mesmo tempo ficar atento aos parâmetros dos direitos iguais dos alunos ao conhecimento sistematizado? Como a avaliação escolar contribui para isso? Qual o papel da avaliação na definição da rotina escolar e na definição dos conteúdos efetivamente ensinados?

Em conjunto, os textos deste livro parecem confluir para a ideia de que a avaliação tem caráter político e pedagógico, é subsídio importante para a tomada de decisões, deve ser contínua, estar articulada ao objetivo máximo do ensino, que é o de construção do conhecimento pelo aluno e de seu desenvolvimento amplo, intelectual, afetivo, emocional.
No entanto, sabe-se que, na prática corrente, ela permanece, em grande medida, como forma de manter o controle do comportamento dos alunos, de mensurar seu conhecimento com métricas objetivas, de classificá-los com base em padrões preestabelecidos. Nesse caso, o currículo oficial é a principal referência, muitas vezes seguido rigidamente, e sua prática está voltada para a atribuição de notas. Como bem denuncia Cipriano Luckesi, um especialista reconhecido na área e referenciado pelos autores do livro, estamos mais habituados a praticar exames e menos a avaliar, o que, de fato, não é a mesma coisa.

Além de se fazer estas ponderações e reflexões mais gerais a respeito da prática da avaliação escolar, é pertinente também investigar aspectos dessa prática com disciplinas escolares específicas. Esta é outra contribuição do livro, os textos apresentam elementos desta temática referentes especificamente ao ensino de Geografia, o que contribui com esta área de investigação, tendo em vista que se trata de uma temática ainda pouco estudada com a devida profundidade e amplitude.

Sobre isso, identificam-se nos textos indicações, como: avaliar, tendo como referência os conhecimentos geográficos, seus conceitos e conteúdos essenciais; considerar nas avaliações os lugares de vivência dos alunos; explorar a capacidade de o aluno desenvolver raciocínios multiescalares; acompanhar resultados dos alunos no que diz respeito à sua capacidade de localizar fenômenos, de saber distribuí-los no espaço; buscar o desenvolvimento do conceito de espaço geográfico.

Enfim, o leitor tem em suas mãos um ótimo material de estudo sobre avaliação escolar, que contribui para ampliar os conhecimentos teóricos a respeito do ensino de Geografia e as práticas avaliativas, seus desafios, seus resultados, suas potencialidades. Sua leitura certamente contribui para compreendermos a complexidade do processo de ensino e aprendizagem e para reforçar convicções sobre a relevância de uma escola de boa qualidade, que incentiva os alunos a estudar, os acolhe e os desafia a ampliar seu conhecimento sobre o mundo e sobre si próprios, o que é fundamental
para o desenvolvimento da cidadania ativa, tão importante no contexto brasileiro atual.

Boa leitura!
Lana de Souza Cavalcanti


SUMÁRIO

Prefácio / 06
Lana de Souza Cavalcanti

Apresentação / 10
Raimundo Lenilde de Araújo
Lineu Aparecido Paz e Silva

I
DOI: 10.35260/87429175p.13-33.2020
As práticas avaliativas dos professores de geografia do Rio de Janeiro / 13
Ana Claudia Ramos Sacramento
Caroline Pinho de Araújo
Josilene Ferreira de Farias

II
DOI: 10.35260/87429175p.35-51.2020
A avaliação formativa da aprendizagem na educação básica: desafios para uma educação emancipatória / 35
Denise Mota Pereira da Silva
Cristina Maria Costa Leite

III
DOI: 10.35260/87429175p.53-73.2020
Avaliação construtiva – por instalações geográficas / 53
Emerson Ribeiro

IV
DOI: 10.35260/87429175p.75-97.2020
Prática avaliativa dos professores supervisores do programa institucional de bolsa de iniciação à docência – PIBID Geografia da UFPI em Teresina-PI / 75
Francisco José da Silva Santos
Raimundo Lenilde de Araújo


V
DOI: 10.35260/87429175p.99-116.2020
Processo avaliativo em geografia: concepção e experiências dos professores de Alto Longá-PI / 99
Lineu Aparecido Paz e Silva
Raimundo Lenilde de Araújo

VI
DOI: 10.35260/87429175p.117-144.2020
Concepções e práticas em avaliação na geografia: a especificidade de avaliar a partir de conceitos e competências no ensino médio / 117
Lucas Gabriel da Silva

Autoras e Autores / 145